sábado, 1 de maio de 2010

“Por fora, pareceis justos aos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e perversidade” Mateus 23:8
Hoje gostaria de falar sobre nossas percepções erradas das pessoas e das coisas. Como por exemplo tentar mensurar a fé de alguém pelo seu tempo de caminhada, ou pela roupa que usa ou qualquer outra característica que a faça diferente de mim. E ser diferente muitas vezes causa exclusão até mesmo dentro da Igreja.
Muitas das vezes nos tornamos diferente por causa de nossas decisões. A maior parte das nossas decisões é tomada inicialmente em razão do que sentimos ou acreditamos. Só depois racionalizamos para justificar nossas escolhas. Jesus era confiante sem ser arrogante, acreditava em valores absolutos sem ser rígido e tinha clareza sobre sua própria identidade sem julgar os outros. Baseamos nossa vida mais no que acreditamos do que no que sabemos.
Às vezes confiamos muito no que pensamos porque isso nos dá uma falsa sensação de segurança. Podemos sinceramente acreditar que algo é verdade, mas ainda assim estar completamente errados. Não devemos confundir sinceridade com a verdade. Tinha um conhecido que vivia pregando sobre Jesus por onde ele passava (inclusive era de outra religião). Falava onde estivesse com toda a força, eu ficava impressionado com sua sinceridade e a convicção que ele tinha. Um dia fiz uma pergunta: “Já deve ter levado várias pessoas a Deus com as suas pregações neh?”. E pra minha surpresa, ele disse: “Na verdade, nenhuma. Mas isso não importa. É a minha missão”. Ele tinha a firme convicção de estar fazendo a coisa certa. O resultado nem era tão importante quanto à sinceridade com a qual ele cumpria sua missão. Nunca duvidei da sinceridade dele, mas questionei se o simples fato de ser sincero fazia com que estivesse certo. Na verdade, eu conhecia dezenas de alunos da faculdade que ficavam irritados com os sermões e se afastavam daquele Deus sobre o qual ele estava pregando porque não queriam aproximar-se de alguém que parecia não lhes dar importância. Esse amigo ignorava uma importante verdade que Jesus exercitava. Ser ao mesmo tempo fortemente convicto e bastante flexível requer uma grande força de caráter. A pessoa rígida é a que mais sofre com a sua rigidez. As pessoas maduras conseguem ser corajosas o suficiente para se comprometerem com a verdade, permanecendo abertas à possibilidade de estarem erradas com relação à maneira como a percebem.
A maneira como percebemos é bem individual, como aquela historia a respeito dos 3 cegos que encontraram um elefante. Quando pediram que cada um descrevesse o animal, cada um disse uma coisa diferente. Um disse que o animal parecia uma grande mangueira, o segundo disse que parecia um cabo de vassoura e o terceiro, que parecia o tronco de uma arvore. Cada um falou de acordo com a sua perspectiva. Nenhuma deles estava errado ou certo, todos estavam mostrando seu ponto de vista. Jesus nos advertiu das armadilhas que encontramos ao julgar os outros. Ele sabia que nossos julgamentos se baseiam em informações distorcidas por nosso modo de ser e que não correspondem necessariamente à realidade. Devemos entender que a verdade não é relativa mesmo que cada um de nós a veja a partir de sua própria perspectiva pessoal. O que ocorre é que, apesar da verdade ser absoluta, nós a percebemos de forma relativa.
O problema dos fariseus era acreditar que eles não eram como as outras pessoas. Eles se achavam mais espirituais do que humanos. Jesus mostrou que as pessoas são boas ou más devido aos relacionamentos que estabelecem e não a algo que nasce com a pessoa. A religião não nos tira da nossa condição humana, pelo contrario – a religião nos faz viver plenamente a condição humana. Muitas pessoas são religiosas porque se sentem culpadas e têm esperança de que através das praticas religiosas podem ser salvas. Elas seguem rituais religiosos, fazem contribuições financeiras e tentam viver uma vida religiosa para não se sentirem mal com relação a si mesmas. A noção de que Jesus queria mostras às pessoas que elas são más para que vivam de forma mais digna é uma interpretação errada das idéias de Jesus. Ele criticava o comportamento de algumas pessoas, mas aquelas que ele mais censurava eram as religiosas. Raramente ele reprovava as pessoas comuns. Quando se deparava com uma pessoa com um comportamento mal, dizia pra pessoa “ir embora e não pecar mais”, sem dar ênfase ao mau comportamento.
Então é isso galeura, eu tentei expressar uma visão que tive depois de ler o livro “Jesus, o maior psicólogo que já existiu” de Mark W. Baker, procurando palavras difíceis no dicionário de sinônimos hehehe e espero que tenha contribuído um pouquinho pro nosso crescimento espiritual e interpessoal. Porque as vezes julgamos as pessoas inconscientemente e até excluímos do nosso convívio.
abrass
pax
Milton Lopes de Souza Junior